
Vivi uma experiência semelhante duas semanas seguidas, devido a uma trágica coincidência: em uma semana, faleceu a mãe de uma das enfermeiras; na semana seguinte, o pai de outra. Nas duas vezes, as demais enfermeiras deram-me a notícia assim que cheguei, como que justificando uma tristeza que pairava no ar e explicando a dificuldade de brincarem, já que geralmente estão sempre tão abertas.
Nessa hora, ninguém sabe bem o que fazer comigo lá dentro, nem eu! Mas é claro que eu tinha obrigação de saber, pois se fosse ter qualquer atitude “normal” como seria esperado quando se fala em morte, não seria mais a Consuelo ali, e sim apenas a Marina.
De novo são alguns milésimos de segundo de diálogo interno, para depois simplesmente deixar qualquer coisa fluir. Fui indo, diminuindo um pouco a energia, mudando a qualidade do riso, buscando apenas ser uma boa companhia e não propor nada.
Ainda não sei se é isso, sei que o resto da tarde transcorreu como de costume, porém continua me intrigando: o que é um nariz vermelho diante da morte?
