sexta-feira, 27 de março de 2009

BIOMIMICRY

A primeira aula foi, na verdade, um bate-papo depois do jantar (já contei que o jantar era às 18:30? Eita dieta saudável...). Ele começou pedindo o seguinte compromisso para a semana: BE POSITIVE. Já gostei de cara, lógico, já que todo o papo de sustentabilidade vem sempre com uma carga de culpas e desastres iminentes muito grande. E ele é taxativo: de que adianta isso? É preciso ser positivo e agir. E, durante a semana, vimos que não se trata apenas de retórica, por diversas vezes vimos como ele aplica o “ser positivo” na prática.

Isto posto, ele começa a contar várias histórias de como a natureza soluciona problemas que também afligem o homem (nem preciso comentar o quanto ele é bom de contar histórias...). Por exemplo, a zebra: porque ela tem listras brancas e pretas? Bom, se me lembro bem, as pretas absorvem o calor e as brancas refletem e, resumindo uma longa explicação biológica, elas têm um sistema perfeito de controle de temperatura. Então, um novo ramo da ciência que se chama BIOMIMICRY vai lá e copia esse padrão, por exemplo, na hora de construir casas. O Günter comanda um projeto com o maior fabricante de casas no Japão que copia esse sistema zebral (vimos as fotos, as casas são bonitas, haha).

E o besouro do deserto do Kalahari que nunca tem sede? Ele tem uma cobertura que permite o acúmulo de gotículas de umidade que chegam na calada da noite e um sistema para que elas escorram direto na boca dele! A tecnologia para copiar essa habilidade besoural já está disponível, mas não é disponibilizada porque foi patenteada pelos militares, que usam o sistema nas barracas dos soldados no Iraque!

E a incrível história dos sistemas de ventilação das formigas, que foi copiado numa escola na Suécia (Laggarberg, Timraa)? A cada 30 minutos, todo o ar dentro da escola é renovado; há uma estufa com 150 espécies diferentes de plantas para limpar o ar; todo o edifício foi construído considerando as necessidades de iluminação, etc., etc., etc. Resultado: depois de 10 anos, eles conseguiram provar estatisticamente os benefícios: menor índice de absenteísmo no país, segunda colocada em desempenho escolar, menor número de doenças.

Ele contou que a maioria desses projetos, como o da escola, leva um grande tempo para sair do papel; os 10 anos para provar o que eles já sabiam eram necessários para que o sistema, como é hoje, reconhecesse algo novo e diferenciado. Ser positivo: o Günter conta isso sem ressentimento, como parte do processo natural de disseminar uma nova filosofia de mundo - agora o governo sueco, convencido, quer reproduzir várias escolas como essa. E o Will Smith também! A equipe do Günter trabalha agora com a criação do “kit” da escola, já que foi necessário desenvolver inúmeros fornecedores que fossem capazes de criar e utilizar novas tecnologias.

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